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E se o tamanho do buraco enganasse a gente?
Um ano ele encolhe, no seguinte volta a crescer. Será que a proteção do planeta está mesmo se curando? A resposta vem logo abaixo ⬇️
O buraco de ozônio sobre a Antártida alcançou cerca de 20 milhões de km² em 2024, quase três vezes a área dos Estados Unidos continentais, e ainda assim os cientistas encontraram motivo para otimismo. A razão é simples: foi uma das menores aberturas desde que a recuperação começou. Um ano mais ameno ou mais severo não apaga a tendência de décadas, e é isso que esse episódio ensina.
O que mostram os números do buraco de ozônio em 2024?
Os números mostram uma abertura enorme, mas entre as menores da era de recuperação. De acordo com a NOAA, a média mensal ficou em cerca de 20 milhões de km² entre 7 de setembro e 13 de outubro, com pico diário de 22,4 milhões de km² em 28 de setembro.
O ano ocupa o 7º lugar entre os menores desde 1992, quando a recuperação começou a ser contada. No registro completo, de 1979 em diante, ele é o 20º menor em 45 anos.
Os dados ganham sentido quando comparados ao longo do tempo. O quadro abaixo mostra a espessura da camada, medida em unidades Dobson (DU), em três momentos.
📊 A camada de ozônio sobre a Antártida em três momentos
📅 1979: cerca de 225 DU
Valor típico de cobertura de ozônio no início dos registros por satélite.
📉 2006: 92 DU
Menor valor já medido no ponto de observação sobre o continente, em outubro.
📈 2024: 109 DU
Mínimo registrado em 5 de outubro, acima do piso de 2006.
Fonte: NOAA, "2024 Antarctic ozone hole ranks 7th smallest since recovery began", 2024.
Repare que 109 DU está bem acima do piso de 2006, mas ainda distante dos 225 DU de 1979. A camada melhora, só não voltou ao ponto de partida.
Por que o buraco muda de tamanho de um ano para outro?
O tamanho muda porque a recuperação depende de mais de um fator, e a atmosfera não segue um calendário fixo. Em 2024, a NOAA e a NASA atribuem o resultado à queda contínua dos CFCs, os clorofluorcarbonos, somada a uma entrada inesperada de ozônio trazida por correntes de ar vindas do norte da Antártida.
Esse vaivém ajuda a entender por que um bom ano não decreta a cura. Três pontos resumem o que está em jogo.
- Os CFCs já presentes no ar levam décadas para se decompor, então a melhora do rombo sobre a Antártida aparece aos poucos.
- Correntes de ar podem levar ozônio de outras regiões para dentro da abertura, como aconteceu em 2024.
- A recuperação se mede em décadas, não em temporadas, e por isso um ano pior pode surgir no meio de uma trajetória de melhora.
Como o clima altera o buraco de ozônio todo ano - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
Como o Protocolo de Montreal mudou essa história?
O Protocolo de Montreal mudou essa história ao tirar os CFCs de circulação. Assinado em 1987, o acordo mandou abandonar os produtos à base dessas substâncias, com substitutos previstos até 2010. Os efeitos na camada começaram a aparecer por volta de 1992, e as liberações dos CFCs caíram bastante desde então.
O resultado é visível na curva dos últimos anos, mas o relógio da atmosfera anda devagar. Cada molécula lançada no passado continua agindo por décadas, e por isso o Protocolo de Montreal rende frutos em câmera lenta.
Como os cientistas acompanham a recuperação da camada?
Os cientistas acompanham a recuperação com satélites e balões que medem o ozônio todos os anos. A projeção da NOAA e da NASA indica que o buraco de ozônio deve se fechar de vez por volta de 2066. O pesquisador Stephen Montzka, da agência americana, lembra que a camada ainda está longe de estar totalmente curada.
Cada instrumento cobre uma parte do trabalho. A lista abaixo mostra quem mede o quê.
- O satélite Aura, da NASA, observa o ozônio na atmosfera.
- Os satélites de órbita polar NOAA-20 e NOAA-21 fazem medições complementares.
- O Suomi NPP, mantido pelas duas agências em parceria, completa a vigilância.
- Balões meteorológicos lançados de um observatório na Antártida levam instrumentos que medem o ozônio sobre o continente.
O que esse vaivém ensina sobre o futuro do planeta?
O tamanho do buraco na camada de ozônio varia de um ano para outro, mas o rumo geral aponta para a cura, graças a um acordo que funcionou. Medir a atmosfera por décadas, e não por temporadas, evita tanto o pânico quanto a comemoração apressada.
Que tal compartilhar este texto com alguém que ainda acha que o problema do ozônio ficou no passado?

