Ex-diretor do Corinthians se lança à presidência e diz: ‘Clube vive crise moral, ética e financeira’

Ao 'Estadão', Sergio Janikian afirma ser necessário mudança de gestão para recuperar o moral do clube no mercado. Crédito: Sérgio Janikian

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O Corinthians e a Caixa Econômica Federal assinaram nesta sexta-feira, 16, um Acordo de Confidencialidade (Non-Disclosure Agreement ou simplesmente NDA) para avançar nas negociações sobre a quitação da dívida pelo financiamento da Neo Química Arena, atualmente estimada em R$ 642 milhões. A reunião em Brasília contou com a presença de Guilherme Boulos, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, o presidente do Corinthians, Osmar Stábile, e integrantes da Gaviões da Fiel, principal organizada do clube.

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O NDA estabelece regras para a troca de informações e impede uma ou mais partes de repassar dados sigilosos a terceiros. A nova etapa discutirá a possibilidade de o clube ceder os naming rights do estádio ao banco em troca do abatimento do débito, hipótese levantada desde o ano passado. A hipótese ainda é considerada remota e o foco está em um acordo mais flexível para os pagamentos. Uma resolução deve ocorrer somente após o segundo turno das eleições no Brasil.

O Estadão apurou que a presença de integrantes da Gaviões da Fiel ocorreu por um convite da própria Caixa.

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Stábile já havia viajado a Brasília para tratar de assuntos relacionados à Caixa na quarta-feira. No dia seguinte, integrantes de organizadas foram ao Parque São Jorge cobrar do presidente a saída do diretor executivo de futebol Marcelo Paz, o afastamento de Memphis Depay, além explicações sobre os critérios utilizados para contratar Clarence Seedorf como novo treinador e medidas para lidar com a dívida de R$ 2,8 bilhões.
Apuração aponta se a Odebrecht, de fato, não concluiu o estádio do Corinthians Foto: Daniel Teixeira/Estadão
Apesar de ter desistido de concorrer à reeleição, Stábile está focado em encerrar sua gestão com um acordo com o banco estatal. No ano passado, Corinthians e Caixa contrataram uma empresa especializada para fazer o valuation (avaliação financeira) da Neo Química Arena e de seus naming rights. As partes já têm o valor o relatório em mãos e agora discutem a viabilidade do negócio.
Em setembro, o clube recebeu o aval do banco para suspender o pagamento da terceira parcela de R$ 28 milhões referente ao acordo vigente. Outras duas, que somam R$ 56 milhões, foram pagas no primeiro semestre.
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Paralelamente às negociações, o Ministério Público de São Paulo mantém em andamento um procedimento administrativo que apura uma possível divergência financeira na cobrança de encargos e multas pelo banco estatal ao clube.
A investigação, sob responsabilidade do promotor Cassio Roberto Conserino, tem como base uma denúncia do perito Anísio Castelo Branco, CEO do Instituto de Perícia Investigativa, que investiga fraudes, lavagem de dinheiro e análise de contratos bancários. Ele fez um dossiê e levantou todos os dados sobre a dívida com base nos documentos públicos, multas e principalmente os juros cobrados.
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