Governo reeleito tem desafio de conter dívida pública acima de 80% do PIB e um Congresso pouco disposto a aprovar novas tributações

26 out 2026 - 05h00

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- Por: Maria Clara Andrade

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Reeleito no último domingo, 25, as circunstâncias em que de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia mais um mandato no Palácio do Planalto são diferentes daquela em seu retorno ao cargo mais alto do Executivo 4 anos atrás. Dessa vez, Lula triunfou após terminar o primeiro turno em segundo lugar. Enquanto alguns setores comemoram a virada histórica, o mercado financeiro deve responder com pessimismo à continuidade do petista no poder.

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Como foi visto ainda no primeiro turno, a bolsa de valores subiu e o dólar caiu quando o senador Flávio Bolsonaro (PL), opositor de Lula, saiu à frente na disputa eleitoral. Naquele momento, o mercado financeiro passava o recado de estar otimista com as promessas de cortes de gastos do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“A concentração de renda é muito forte em nosso País. Então, para o mercado, a eleição de Flávio era o melhor jogo. ‘Olha, você corta gastos e cumpre a meta fiscal que nós vamos ganhar dinheiro’”, reflete o contador e professor da FIA Business School, Arnóbio Durães.

Durães acredita que o corte de gastos prometido por Flávio viria ao custo de redução de benefícios sociais. Para ele, mesmo com a desconfiança do mercado financeiro, a continuidade da gestão Lula indicará o equilíbrio entre a responsabilidade fiscal e a permanência de políticas sociais.

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Foto: Alexandre Schneider / Getty Images

O economista André Senna Duarte, professor da PUC-Rio, alerta, porém, para o alto nível da dívida pública brasileira e a necessidade de que o governo se debruce sobre ela. Neste novo mandato, o presidente Lula não deve encontrar um ambiente propício a estabelecer ajustes fiscais, principalmente levando em conta que sua gestão prefere aumentar tributos do que cortar gastos.

“Lula tem insistido na subida de impostos, mas o Congresso parece bem refratário a fazer um ajuste fiscal com base em impostos, dada, inclusive, a carga tributária bastante elevada. Então, acho que nesse cenário a gente teria um conflito maior entre o Executivo e o Congresso”, explica Senna. Ele resume que é difícil enxergar para este mandato um ajuste fiscal relevante no País.

Atualmente, a dívida pública impacta o chamado “risco-país” do Brasil. Esse indicador mede a probabilidade de um país dar calote em suas dívidas a investidores estrangeiros e, em síntese, reflete a confiança desse investidor na estabilidade daquela economia. Segundo agências avaliadoras de risco, a dívida pública é a maior vulnerabilidade brasileira no momento, representando mais de 80% do PIB do País, agravada pelos altos juros que dificultam ainda mais seu pagamento.

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Arnóbio Durães, professor da FIA Business School, defende, porém, que a dívida pública brasileira apesar de alta não está entre as maiores do mundo, ficando atrás de países como Estados Unidos e Japão, por exemplo. Para ele, a gestão econômica do governo Lula não se restringe a esse dado.

“O País está crescendo, deve fechar o ano de 2027 como a oitava economia do mundo, o PIB tem perspectiva de melhoria. E com tudo isso aumenta a capacidade de investimento do Estado”, defende.

Para o advogado tributarista Eduardo Rodrigues, sócio no escritório Duarte Tonetti, independentemente de ser um governo bom ou ruim, a continuidade da gestão Lula indica previsibilidade para o mercado.

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Para o defensor, vai haver a manutenção da atual carga tributária e a manutenção das políticas de injeção de dinheiro na economia através de benefícios. Um exemplo é o perdão da dívida do Microempreendedor Individual (MEI), que em contrapartida deve fazer com quem estava irregular retorne à formalidade.
“Possivelmente, essa pessoa pode voltar para o meio e voltar a recolher. Então, isso seria uma injeção de dinheiro em torno ali da casa dos R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões”, estima Rodrigues. Ele também projeta uma redução da taxa de juros por estar muito acima do seu patamar médio, que é em torno de 8 e 9%.
“Eu só não acredito que a gente tenha uma tendência de redução de carga tributária e uma tendência de redução do custo estatal, porque a política pública do governo Lula é lastreada em benefícios fiscais.”
Fonte: Portal Terra
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