O Estadão se antecipou para tentar explicar mensagens nas quais o banqueiro Daniel Vorcaro conversa com o seu sócio Flávio Carneiro e diz que no jornal eles estão “em casa”, em clara referência de que exercia influência editorial no veículo hoje controlado por banqueiros e empresários. Leia também BrasilNo “Estadão estamos em casa, temos crédito lá”, disse sócio a Daniel Vorcaro BrasilJornal dos banqueiros, Estadão recebeu R$ 1,12 milhão do Master BrasilEstadão capta R$ 142 milhões e usa gestora implicada no caso Master para administrar debêntures BrasilQuem são os bancos e empresários que aportaram R$ 142,5 milhões em debêntures no Estadão O título do jornal afirma: “Metrópoles prepara ataque mentiroso ao Estadão por expor influência de Vorcaro no portal”. No entanto, tudo o que o Metrópoles publica e publicará é comprovado pelos prints de conversas do telefone de Daniel Vorcaro.Para sustentar o que classifica como “ataque”, o Estadão diz que “o Metrópoles utiliza um recorte de mensagens vazadas entre Vorcaro e o empresário Flávio Carneiro” e omite o conteúdo completo dos diálogos.Mas a íntegra dos diálogos mostra precisamente o que revela o Metrópoles: o Estadão, embora sobreviva às custas de empréstimos concedidos por bancos adversários e hostis ao Banco Master, não relutou em ceder aos interesses de Daniel Vorcaro.Se o próprio Estadão dá crédito ao que fala o banqueiro, precisa aceitar o que está consignado pelas conversas, que expõe as relações de bastidores mantidas entre o veículo e o empresário.O Estadão fala, em seu texto, sobre a emissão de debêntures que deu sobrevida ao grupo de comunicação, que acumulava uma dívida de R$ 159 milhões, e transformou bancos e grandes empresários em credores do Estadão.O grupo de comunicação paulista escondeu por dois anos as identidades dos empresários e banqueiros que participaram do socorro financeiro ao grupo. Os nomes só se tornaram públicos a partir de reportagem do Metrópoles.Ao tratar da operação, o Estadão admite a presença de Rubens Ometto, empresário que organizou o socorro financeiro ao jornal, no grupo de debenturistas do veículo. Ometto e seus banqueiros parceiros no aporte ao falido veículo passaram a ocupar espaço no jornal, o que levou o veículo à alcunha de Jornal dos Banqueiros.O Estadão traz, então, o trecho da conversa em que Vorcaro lamenta por não ter participado do negócio. Obviamente, Ometto não convidaria o Master para integrar o polo de socorristas, visto ser este integrado pelos seus maiores rivais do mercado financeiro. Não fosse assim, o Master teria sido um dos contribuintes.O Estadão trata como “evidência de que o Metrópoles prepara um ataque” o envio de um e-mail com o pedido de outro lado. O Metrópoles limita-se a tornar públicas as conversas sobre o Estadão mantidas entre Daniel Vorcaro e Flávio Carneiro. Ao demandar respostas ao jornal paulista, o Metrópoles cumpre seu dever de bom jornalismo, qual seja, ouvir o outro lado antes de publicar qualquer matéria.O jornal paulista diz, também, que “as afirmações de Carneiro sobre “estar em casa” e “ter créditos” com o Estadão provavelmente são uma tentativa do empresário de demonstrar ao seu sócio, Vorcaro, uma influência que ele não tinha”.Se o Estadão considera mentirosas as afirmações feitas por Flávio Carneiro sobre a relação entre o veículo, Daniel Vorcaro e Rubens Ometto, o jornal vai processar Flávio Carneiro?Em outro trecho, o Estadão usa uma outra conversa de Vorcaro, desta vez com a então superintendente de Marketing e Comunicação do Banco Master, Ana Matos, para argumentar que “a incapacidade de controlar a narrativa do jornal gerava forte irritação na cúpula do Banco Master”.A queixa da funcionária de Vorcaro, no entanto, era muito mais intensa em relação ao Metrópoles, que publicou mais de 1.600 matéria sobre o Master e sobre os negócios do Master com o BRB, questionando sua solidez financeira e sua capacidade de levar a bom termo as negociações com o Banco de Brasília.O Estadão fala também de um suposto “método” do Metrópoles que, de acordo com eles, “reforça um padrão recente de intimidação editorial”. “Assim como ocorreu com a Folha de S.Paulo e com o banco Itaú, o Metrópoles utiliza seu espaço para publicar textos retaliatórios assim que veículos da grande imprensa expõem os pagamentos milionários envolvendo o grupo de comunicação, o Banco Master e as empresas da família de Luiz Estevão”, diz o texto.O Metrópoles publicou as conversas de Daniel Vorcaro com múltiplos interlocutores, que trazem relatos de suas relações com o mundo empresarial, o Poder Judiciário, órgãos de imprensa e pessoas diversas. Se todos os que se sentirem atingidos pelas matérias considerarem o exercício de jornalismo como método de intimidação, isso poria fim ao mais importante trabalho da imprensa: apurar, checar, comprovar e publicar notícias que desagradam aos personagens retratados.O jornal paulista fala, também, que durante o anúncio sobre a parceria da CBF com o Metrópoles para a transmissão dos jogos da Série D do Campeonato Brasileiro não teria sido mencionado que “Luiz Estevão também comercializou os ‘naming rights’ da competição”.Como deixa clara a tradução livre do termo em inglês, a comercialização dos “naming rights” é o aspecto mais evidente da transação com o grupo Master, visto que a competição passou a chamar-se Will Bank Série D e tal denominação constou de todas as transmissões e das placas publicitárias exibidas pelas câmeras de TV.Em outro trecho, o Estadão diz: “Além dos R$ 6 milhões para a transmissão da Série D, os diálogos indicam outros três contratos distintos: um de R$ 20 milhões, outro de R$ 25 milhões e um terceiro de cerca de R$ 900 mil”.O contrato de 25 milhões com o Metrópoles não foi cumprido nem pago, tendo em vista a liquidação do banco. Quanto ao de 20 milhões, a verificação da sua razão de ser é muito fácil: basta acessar as campanhas publicitárias veiculadas pelo Metrópoles, sendo que Vorcaro também anunciava na TV Globo, TV Record, Estadão e outros veículos de imprensa.O Estadão volta, então, a citar uma conversa de Vorcaro com Ana Matos. “Nao! Coisa mais importante nossa vida é esse metropoles”, afirmou Vorcaro no diálogo com a então superintendente de Marketing e Comunicação do Banco Master,É natural que Vorcaro considerasse o Metrópoles mais importante que o Estadão. Enquanto o jornal dos banqueiros tem uma circulação diária de menos de 35 mil exemplares, o Metrópoles é acessado 600 milhões de vezes a cada dia.Os números da audiência do Metrópoles, que possuem mais de 35 milhões de seguidores nas redes sociais, são públicos e aferíveis nas respectivas plataformas; já o Estadão, acabrunhado com a constante e irreversível queda em sua circulação, deixou de informar os números ao Instituto Verificador de Comunicação (IVC), podendo-se supor que sua tiragem já seja inferior aos 35 mil exemplares diários, o último dado tornado público pelo veículo desde junho de 2023, quando entrou em queda livre de audiência.








