As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) apresentaram ao TSE autorizações para divulgar dados bancários e telefônicos dos candidatos e de pessoas e empresas ligadas a eles. O documento, no entanto, não significa a quebra efetiva dos sigilos nem a divulgação imediata das informações.Os termos foram protocolados na Corte Eleitoral nesta quinta-feira (22/10), após uma série de negociações entre as equipes. Leia também BrasilLula recorre a Janones; Flávio traz sertanejos em último programa eleitoral BrasilFlávio libera sigilos ao TSE e desafia Lula a abrir cartão corporativo BrasilAs estratégias de Lula e de Flávio para o último debate antes do 2º turno BrasilEleições 2026: confira as agendas de Flávio e Lula nesta sexta (23/10) Apesar das autorizações, os candidatos não entregaram os extratos e registros que permitiriam acesso às movimentações financeiras. Vale destacar que a publicação desses dados não depende de autorização judicial.O que foi pedido?Os documentos apresentados ao TSE formalizam o consentimento dos candidatos para a divulgação das informações previstas no acordo. A iniciativa também abrange familiares, pessoas jurídicas e outros registros incluídos nas condições negociadas pelas campanhas.A campanha de Lula levou documentos físicos ao tribunal e pediu que o ministro André Mendonça atuasse como mediador para garantir a divulgação simultânea e a integridade das informações. Eis os pedidos da campanha do petista:Abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 8 anos das seguintes pessoas:Flávio Bolsonaro;Jair Bolsonaro;Rogéria Bolsonaro;Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro;Carlos Bolsonaro;Eduardo Bolsonaro;Jair Renan Bolsonaro.Empresas ligadas a Flávio:Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia — escritório de advocacia do senador;All In One Corretora de Seguros Ltda. — empresa do setor de seguros;Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação Ltda. — empresa de tecnologia e inovação;Bolsonaro Digital Ltda. — empresa ligada ao senador;Alcazar Holdings — offshore registrada na Ilha da Madeira, em Portugal, controlada pelo advogado Willer Tomaz.Já a equipe de Flávio apresentou sua documentação na madrugada de sexta-feira (23) e voltou a cobrar a divulgação dos gastos com cartões corporativos da Presidência da República. Eis o que foi pedido:Informações sobre empresas nacionais e sociedades offshore de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, bem como de sua mulher, Renata de Abreu Moreira;Empresas de Sandro Luís e Marcos Cláudio Lula da Silva, também filhos de Lula;Empresas de Fernando Bittar, sócio de Lulinha;Empresas dos demais filhos de Lula como Lurian Cordeiro Lula da Silva, Marcos Cláudio Lula da Silva, Sandro Luís Lula da Silva e Luís Cláudio Lula da Silva;Quebra de sigilo do Instituto Lula e de Paulo Okamotto que foi presidente do instituto por anos.Relação com Daniel Vorcaro, fundador do Banco MasterRegistros de visitas a Vorcaro durante sua custódia na Polícia Federal;Planos de voo e passageiros de aeronave atribuída a Vorcaro na semana de sua prisão, em novembro de 2025;Relação de participantes e todos os registros do encontro entre o presidente e o banqueiro, realizado em 4 de dezembro de 2024;Entradas de Vorcaro e seu intermediários nos palácios do Planalto e Alvorada;Registros de entrada de Guido Mantega e Augusto Lima no Planalto;Sigilos de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT.Roberta Luchsinger e o caso do INSSVisitas de Roberta Luchsinger ao Planalto e ao Alvorada;Voos da FAB com Roberta Luchsinger;Reuniões da lobista em órgãos federais;Sigilos de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula;Sigilos de Frei Chico, irmão de Lula, e do Sindnapi, sindicato supostamente envolvido no escândalo do INSS.Gastos com dinheiro públicoGastos do cartão corporativo da Presidência desde janeiro de 2023;Agenda de Janja, visitas dos filhos de Lula, helicópteros e gastos do Alvorada.Por que os sigilos ainda não foram abertos?O ministro André Mendonça, relator do caso no TSE, afirmou que os candidatos podem divulgar voluntariamente os próprios dados, sem necessidade de autorização judicial. O magistrado também indicou que não cabe à Justiça Eleitoral determinar o conteúdo que cada candidato deve tornar público.A campanha de Lula recorreu da decisão e pediu que o tribunal assegure o cumprimento do acordo e a divulgação simultânea dos dados. A equipe de Flávio, por sua vez, questionou a necessidade de intervenção da Justiça Eleitoral.O ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol (Novo), senador eleito pelo Paraná, afirmou que a campanha de Lula apresentou ao TSE 224 páginas sem dados sobre sigilo fiscal e bancário do petista. “Mais uma promessa descumprida, uma mentira do Lula”, acusou.A campanha do presidente e candidato à reeleição afirmou que entregou, nessa quinta-feira (22/10), os documentos contendo os sigilos bancários e telemáticos de Lula.Deltan afirmou que acordou de madrugada para ir a Brasília com objetivo de analisar os documentos, mas afirmou que as páginas têm apenas “acusações contra Flávio Bolsonaro”.Até a manhã desta sexta-feira (23/10), não havia previsão definida para a divulgação das informações.









