Quinze dias depois de ter colocado o cargo à disposição na sequência dos resultados das últimas eleições, Levy Nazaré anunciou a sua demissão da presidência do Movimento BASTA, com efeitos imediatos.

“Hoje deixei de ser presidente do Movimento BASTA com efeitos imediatos“, declarou.

Ao analisar o atual quadro político nacional, o líder demissionário considerou que o entendimento entre as principais forças políticas saídas das urnas é essencial para assegurar a estabilidade de que o país necessita e criar condições para a concretização de reformas estruturantes há muito reclamadas.

Entre as mudanças que considera prioritárias, Levy Nazaré apontou a revisão da Constituição, a reforma da justiça, a reorganização político-administrativa do país, a avaliação do atual modelo autárquico e o esclarecimento das competências dos diversos órgãos de soberania.

“A revisão da própria Constituição, a questão da justiça, a reforma político-administrativa, as seis câmaras, se fazem sentido, a questão dos mandatos políticos, isto é, Governo quatro anos, poder local e regional três anos, os poderes do Presidente da República e do Primeiro-Ministro, há imbróglios em matérias da defesa e da política externa, bem como outras grandes reformas“, afirmou.

Na sua perspetiva, sem uma base de entendimento político suficientemente ampla, estas reformas poderão voltar a ser adiadas.

“Nós acreditamos que, com 47 deputados, e talvez mais dois do BASTA, e todos aqueles que queiram fazer parte desse processo, seria possível reunir a maioria necessária para fazer avançar o país“, sustentou.

As declarações de Levy Nazaré surgem numa altura em que o ADI e a coligação MCI-PS/PUN, segunda e terceira forças políticas mais votadas nas eleições, formalizaram um acordo parlamentar que lhes garante uma maioria de 29 deputados na Assembleia Nacional. O entendimento remete o MLSTP/PSD, vencedor das eleições com 24 mandatos, para a oposição.

José Bouças

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