Défense d'afficher (em português: Proibido Afixar Cartazes) é um curta-metragem mudo francês de 1896, dirigido e produzido por Georges Méliès. Registrado com o número 15 no catálogo da Star Film, é um dos raros filmes de Méliès desse período que sobreviveram: considerado perdido por décadas, foi redescoberto em 2004 por uma equipe do Centre national du cinéma et de l'image animée (CNC) e do Ciné-Archives. No catálogo norte-americano, o título foi traduzido como Post No Bills.

Enredo Uma sentinela marcha diante de um muro onde está inscrita a inscrição Défense d'afficher — a proibição legal de afixar cartazes, vigente na França desde a lei de 1881. Um primeiro colador de cartazes aguarda a sentinela passar e aproveita a brecha para colar um anúncio publicitário na parede. Um segundo colador surge e recobre o primeiro cartaz com um pôster ainda maior. Os dois brigam pelo espaço da parede e fogem apressadamente ao avistar a sentinela retornando. A sentinela, por sua vez, é repreendida pelo comandante pela desordem causada no muro que deveria guardar. O cartaz colado era, na verdade, um anúncio do próprio Théâtre Robert-Houdin de Méliès — conferindo ao filme um duplo caráter de comédia e publicidade.

Contexto Em 1896, Méliès rodou seus primeiros filmes no jardim de sua propriedade em Montreuil e os exibia no Théâtre Robert-Houdin, em Paris, do qual era proprietário. O catálogo da Star Film, fundada naquele mesmo ano, numerava cada título de acordo com a ordem de produção, com cada número correspondendo a aproximadamente 20 metros de negativo. Défense d'afficher é o décimo quinto título do catálogo, inserido entre Bébé et Fillettes (no 14) e Bateaux-mouches sur la Seine (no 16). O filme pertence à fase inicial de comédias de situação de Méliès — encenações simples com um único gag — que o distinguiam dos contemporâneos comprometidos com o estilo documental dos Irmãos Lumière. A AlloCiné destacou o filme como uma das primeiras comédias da história do cinema, comparando sua acuidade cômica à que seria desenvolvida décadas depois por Charlie Chaplin e Buster Keaton.

O tema do colador de cartazes A cena cômica envolvendo coladores de cartazes e muros proibidos era já familiar no vaudeville francês antes do surgimento do cinema. A lei que originou as placas Défense d'afficher data de 29 de julho de 1881. No ano seguinte ao de Méliès, os próprios Irmãos Lumière produziram Colleurs d'affiches (1897), filmado por Georges Hatot e Alexandre Promio, onde o cartaz colado é publicidade do cinematógrafo Lumière — possível resposta ao filme de Méliès, que havia utilizado o mesmo esquema para divulgar o Théâtre Robert-Houdin. O tema foi retomado por múltiplos realizadores nas décadas seguintes, incluindo produções da Gaumont, Pathé e dos estúdios Roach nos Estados Unidos, ainda na década de 1920.

Redescoberta Por décadas, Défense d'afficher foi listado como filme perdido, compartilhando o destino da maioria dos títulos de 1896 do catálogo Star Film. Em 2004, uma equipe do CNC e do Ciné-Archives localizou e identificou uma cópia sobrevivente — uma das poucas redescobertasda fase inicial da filmografia de Méliès. O filme foi restaurado e disponibilizado em domínio público, encontrando-se hoje acessível no Wikimedia Commons e no Internet Archive. A redescoberta de Défense d'afficher integra um esforço mais amplo de recuperação da filmografia de Méliès conduzido pela Cinémathèque française, pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, pela Academy of Motion Picture Arts and Sciences e pelo CNC, no âmbito do chamado Projeto Méliès — uma colaboração internacional coordenada pela Lobster Films. De aproximadamente 520 filmes que Méliès dirigiu entre 1896 e 1912, estima-se que apenas 231 cópias chegaram à atualidade em alguma forma.

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Referências

Ligações externas Défense d'afficher no IMDb «Défense d'afficher – Internet Archive (domínio público)»